Equilibrando o Ego
A maioria de nós passa a vida enfrentando adversidades e
sofrimentos que parecem não ter fim, por
causa disso não somos felizes e plenos e muitas vezes terminamos a jornada nos
sentindo fracassados, cheios de culpas e arrependimentos; eu posso afirmar para
você que isso acontece por que nos identificamos com o pior de nós mesmos ou
para ser mais clara, isso acontece quando vivemos nos percebendo através do ego,
então, agimos no automático controlados pelas emoções e desejos.
Para compreender esse processo e evitar que continuemos
vivendo no automático é necessário conhecer a fundo quem é o ego e aprender a
identificá-lo diferenciando-o através do Eu verdadeiro e liberando espaço para
nossa essência divina atuar em nosso ser de forma fluida e eficaz.
Quem é o ego?
O ego é o centro da consciência, é a parte de nós que
abrange toda a noção do si mesmo e todas
as características absorvidas em suas experiências; ele é a parte que percebe o
mundo a partir da consciência e do inconsciente individual e coletivamente;
para simplificar o entendimento, podemos dizer que o ego seria uma pessoa com
suas características com seus gostos suas lembranças suas ideias e sentimentos
tudo desenvolvido ao longo da existência desde o momento em que a alma iniciou
seu trajeto no ventre da mãe agregando informações energéticas dos pais, que farão
parte dele, assim como os registros de experiências anteriores a essa que
atravessaram as fronteiras do tempo e da vida antes de sermos concebidos na
Terra, ou seja, a alma trouxe consigo informações de suas vidas passadas que
também se apresentam através do ego e fazem parte do seu jeito de ser e ver o mundo.
Eu só consegui me perceber separada do ego quando eu
compreendi que estava sendo alguém que
eu não gostava de ser e não estava feliz com minha vida; não é possível para
ninguém nessa vida se realizar com integridade quando não aceita a si mesmo e
nem se sente feliz por ser quem se é; até chegar a essa conclusão vivenciei
bastante desconforto e me entreguei a pesquisa; eu entendi que precisava buscar
informações sobre os elementos que constituem o Ser e entender a função de cada um no processo de
evolução para me libertar de uma realidade exterior que não se assemelhava de
modo algum com o que eu pensava a respeito da vida; esse entendimento veio
através da reflexão, mas, a ficha só caiu mesmo depois de compreender a
completude do Ser.
Minhas primeiras pesquisas foram feitas dentro da
psicanálise através de Freud, Jung, Wilhem Reich e também filosofias orientais
e espiritualistas; eu notei que as religiões e filosofias de alguma forma incentivam
a morte do ego, o que depois de estudar a psicanálise compreendi não só, que não
era necessário matar o ego como também seria impossível uma vez que ele é o elemento
que dá as características de cada pessoa. Então o que fazer com o ego?
O ego sendo o resultado de muitas experiências e o apanhado
das características da personalidade advindas dessas experiências apresenta
inúmeros comportamentos e tendências que atrasam o processo de evolução se a pessoa
não o perceber e trabalhar em educa-lo; as emoções são produto do ego e se
apresentam de acordo com tudo que a pessoa vivenciou durante seu desenvolvimento
até agora; o acúmulo de informações negativas geram emoções desagradáveis e danosas
para o indivíduo e esse passa a alimentar sentimentos confusos e menos nobres que
prejudicam o desenvolvimento da função primordial da alma.
A alma é a centelha divina, parte de Deus que nos vivifica e avança através
das idas e vindas desde que foi gerada pelo criador; sendo a alma a faísca emanada
de Deus é ela que detém todo o conhecimento, sentimentos, e a própria vida; é a
alma que sabe o motivo da nossa existência nesse mundo e tem em si a missão bem
definida de se elevar cada vez mais e se aproximar cada vez mais do Eu verdadeiro
até se fundir com o Todo; esse é o objetivo primordial da nossa existência.
Porém, o maior desafio para a alma é vencer a natureza do
ego que veio sendo formado através das próprias experiências em suas várias
existências em diversos mundos desde o surgimento da consciência; ao derivar da
consciência individual tivemos a percepção de estar separados de Deus, então, fomos
concebendo nossas próprias personalidades e individualidades produzindo o ego.
Podemos então, perceber que a natureza do ego origina se da
própria alma que deve conhecê-lo e educá-lo até que este se torne um com ela e agregue
a ela todas as vivencias, experiências e peculiaridades que a eleva sobre o
conhecimento de si mesma e a torna livre, pois conhecendo a si mesma a alma se
entende como parte do Todo e se volta para Ele de forma integra e abnegada ou
seja sóbria, limpa, austera, discreta, modesta, então, pronta para se diluir e
unir se ao Todo(Deus) até que se sinta compelida a mais descobertas eternidade
afora.
Para que na atual existência possamos iniciar o processo de
diluição do ego a primeira coisa a se fazer é ser honesto consigo mesmo e refletir
sobre como se sente em relação a si mesmo e a realidade que se apresenta nesse
exato momento; analisando minunciosamente todos os pontos fundamentais que são:
comportamentos, relacionamentos, saúde, aparência, finanças, profissão, conhecimento,
moralidade e espiritualidade, ou seja, tudo que forma o caráter, a pessoa terá
a oportunidade de perceber o quanto ela se deixa levar pelos acontecimentos e pessoas que a influenciam, e
principalmente o quanto ela se identifica com o mundo exterior, seus problemas,
medos, angústias, desejos, vícios e etc.
A partir dessa observação
separar o ego das demais “partes” se tornará imprescindível e mais fácil para o
início do processo.
Para separar o ego e iniciar o processo de dissolução é necessário
saber que somos espírito ou Eu superior, temos uma alma ou Centelha divina, o
Ego com suas personas; conhecendo cada um e sabendo como funcionam iniciamos o
processo de relacionamento consciente com o ego trabalhando para educá-lo como
se educa a uma criança que deseja a qualquer custo manter o controle sobre nós;
entretanto, não podemos deixar escapar o fato de que para se conseguir alinhar
o ego com a alma é preciso tratá-lo com respeito e carinho, lembrando que ele se
originou da própria alma e que todas as experiências nele contidas é que dão a
alma o material para a evolução e junção com Deus; vencê-lo não quer dizer matá-lo
de modo algum, vencê-lo é fundi-lo à alma que se fundirá com Eu superior que se
tornará um com o Todo terminando um ciclo de evolução para se deleitar no conhecimento
do bem e do mal que é a motivação primitiva da alma nesse plano.
a imagem inserida a cima: [Imagem: Nicolas Poussin - Et in Arcadia ego (deuxième version).
Tradução do francês : E no Arcádia ego (segunda versão)


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