Abuso sexual
Abuso sexual
Esse é um tema que eu realmente não gostaria de escrever a respeito, ao mesmo tempo que ansiava pelo momento onde eu pudesse contribuir com quem passa por esse tipo de situação tão traumática.
Hoje com o avanço da tecnologia e com o boom das redes sociais o que já acontecia secretamente está sendo revelado cada vez mais pelas vítimas desse ato que marca a vida de uma pessoa para sempre; falar no assunto ainda não é algo tão fácil e certamente nenhum pouco confortável, afinal de contas, falar de algo tão intimo que mexe com as emoções e sentimentos mais profundos não é motivo de orgulho para ninguém.
É algo tão devastador para o psicológico da pessoa que até para os familiares lidarem com isso é muito difícil, sobretudo, quando o abusador é alguém da família; e a maioria dos casos de abuso sexual é praticado por familiares das vítimas ou alguém muito próximo como um padrinho, um amigo ou um vizinho antigo.
Geralmente o agressor tem acesso muito fácil a vítima e exerce certo controle sobre ela.
Existem outras formas de abuso sexual como por exemplo o assédio sexual no trabalho onde os empregadores exercem sua autoridade para conseguir alcançar seus intentos pouco nobres; ou ainda o tipo de abuso onde os responsáveis por uma pessoa a obrigam praticar sexo com outras pessoas por dinheiro, drogas ou troca de favores.
Seja qual for o tipo de abuso ou a forma como é aplicado o sentimento da vítima é o que realmente deve ser levado em conta.
É um tipo de coisa que abala para sempre o sistema psíquico da pessoa e pode em muitos casos levá-la a caminhos muito perigosos em relação à sexualidade; muitas vítimas depois de um certo tempo se lançam na vida sexual de maneira desajustada gerando outros problemas de ordem psicológica, moral e afetiva devido ao desvalor na percepção de si mesmo.
A baixa autoestima e a deturpação dos valores leva o indivíduo a perder os limites que a protegem de outros tipos de problemas em seus relacionamentos, criando assim um círculo vicioso de mais desequilíbrios e sofrimentos.
Muitas crianças e adolescentes abusadas perdem a identificação com sua sexualidade e acabam por ter problemas com suas preferências sexuais, tornando se promíscuos e desenvolvendo relações conflituosas com seus parceiros ou parceiras, quando adultos apresentam determinados distúrbios emocionais e mentais mantendo uma visão completamente distorcida sobre sua vida suas escolhas e principalmente sobre si mesmo. Outros lidam com isso de forma diferente, se fecham para a sociedade criando um universo particular de alienação e isolamento, muitos se tornam religiosos ou nunca se relacionam sexualmente com outras pessoas vivendo uma espécie de celibato como forma de proteção e até autopunição.
O efeito sobre as vítimas varia muito dependendo da personalidade da criação e principalmente da reação mediante ao abusador; os que reagem ou contam para suas famílias, recebem apoio e são encorajados a denunciar conseguem vencer o trauma muito mais facilmente que outros que guardam para si ou são instruídas a nunca falar sobre o assunto; e esse pode ser o ponto mais relevante para lidar com a questão; geralmente quando somos atingidos em cheio na nossa intimidade principalmente em tenra idade nos fechamos por medo ou vergonha, em outros casos pelo abusador ser alguém da família ou muito próximo, mesmo, que a criança conte o acontecido a alguém que confia pode ser instruído a não falar mais no assunto para evitar escândalos ou por que talvez ninguém acredite que determinada pessoa tenha agido dessa maneira, muitos podem ser os motivos que impeçam a vítima de reagir e acusar seu agressor, entretanto, é muito importante falar sobre o assunto e expressar o que se passa no íntimo e em seguida decidir o que será feito em relação a pessoa que infringiu os limites do respeito, da moral e da honra.
Quando a criança é muito pequena ela apresentará inúmeros sinais de que algo está acontecendo, é preciso que os familiares ou responsáveis estejam atentos aos sinais e procurem conversar e ganhar a confiança dela; e ao constatar a veracidade da suspeita retirá-la imediatamente da convivência do agressor e desse ponto tomar as devidas providências para incriminá-lo.
Já se tratando de adolescentes é preciso reagir, contar para alguém responsável e de confiança que pode ajudá-lo a se livrar das investidas e também procurar informações sobre como proceder para também incriminar o indivíduo, o mais importante é que na primeira vez a vítima já se livre da possibilidade de uma nova ocorrência.
Aos familiares é muito importante atentar para importância das vítimas perceberem o quanto eles se importam, e para isso é necessário que as famílias apoiem seus filhos a falarem e ir a fundo na questão da proteção e incriminação do agressor sendo ele quem for: marido, avó, pai, mãe, irmão, padrasto, padrinho, vizinho, patrão, amigo; seja quem for é fundamental que a família fique ao lado da vítima; esse apoio faz toda a diferença no sentido de autovalor e amor próprio da criança ou adolescente para que futuramente ela tenha bases para seguir enfrente na maior normalidade possível, e também se livrar da culpa que pode surgir através de um mecanismo de autopunição onde a vítima se vê de alguma forma como culpado pelo ato do outro; mas esse assunto vamos ver em outro artigo. Por outro lado o abusador deve ser responsabilizado por seus atos para que venha a ser impedido de prosseguir causando estragos nos alvos de sua perversão sexual; tudo dependendo do grau da agressão; muitos dessas pessoas estão sofrendo de graves problemas que a psicanálise compreende como um desvio de caráter, resultados de algum trauma de infância, portanto o agressor é mais uma vítima de seus próprios traumas e em muitos casos precisa de ajuda e pode alterar seu comportamento com ajuda profissional ou o autoconhecimento.

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