Teoria baseada em Freud: Instinto X Razão


                                       Instinto X Razão
     Antes de iniciarmos qualquer entendimento sobre instinto e razão é preciso esclarecer que depois de muita pesquisas e debates com amigos estudiosos, chegamos à conclusão que instinto e razão são o mesmo elemento, sendo que a razão nada mais é que o instinto transformado e evoluído através das experiências de vários anos desde que a humanidade surgiu no planeta; as experiências do espírito na matéria têm como finalidade educar e equilibrar os instintos tornando o homem cada vez mais racional e ciente de sua responsabilidade em evoluir, consciente das leis universais que regem o cosmo, levando o indivíduo a alcançar maior poder de escolha fazendo melhor uso, de seu livre arbítrio. 


Como não encontrei outra palavra que desse maior sentido ao que poderíamos considerar o oposto de instinto, acreditei que a palavra “razão” poderia se encaixar muito bem para a compreensão deste capítulo; não que instinto e razão sejam de fato elementos contrários como já foi explicado, porém, são  polaridades de um só componente. 


O significado de razão em sua forma mais abrangente é a capacidade para resolver alguma coisa através do raciocínio; aptidão para compreender para julgar e raciocinar; a inteligência de modo abrangente; segundo a filosofia é a capacidade que distingue os homens de outros animais e esse é o ponto principal a observar nesse estudo. 


O significado de instinto em si já explica muita coisa; segundo o dicionário instinto é: impulso inato que faz com que um ser humano, ou qualquer outro animal, se mova inconscientemente buscando sua própria sobrevivência: instinto de conservação. Impulso natural que leva alguém a agir de maneira inconsciente, sem se pautar pela razão ou inteligência. Faculdade de perceber, de entender algo, que independe da razão; intuição. Aptidão inata; tendência que leva alguém a fazer alguma coisa: instinto para o vício!

      Discernido as características que definem: instinto e razão; vamos avançar na busca ao equilíbrio dessas potencialidades próprias do ser humano.


        O objetivo não é eliminar os instintos, (e sim, empregá-los na medida certa); nem dar ouvidos a razão impostas por regras externas nos moldes da sociedade, que incentiva castrar totalmente o impulso natural que nasce do instinto; a razão que vem de nosso próprio interior que vem sendo moldada por nossas próprias experiências e necessidades de evoluir e nos estimula a sensatez, essa sim é a bússola que indica o caminho para o equilíbrio. Harmonizar esses dois aspectos é a própria evolução do indivíduo nessa dimensão onde o espírito e matéria, são parte do mesmo ser.



         Acessar os preconceitos, crenças limitantes e desejos mais ocultos guardados no inconsciente trazendo-os a tona nos ajuda reconhecer o s instintos, lembrando que mesmo racionais, somos ainda, animais da espécie humana; embora soe como um clichê, muitos de nós temos nos esquecido disso e nos colocamos como superiores na natureza esquecendo que somos parte dela e por isso refreamos nossos instintos gerando conflito entre o que acreditamos ser o correto no consciente do homem evoluído e o desejo imoral submerso e reprimido no inconsciente, digo imoral por não ser compatível com as regras que cada um reconhece como certas ou por não estarem de acordo com o que aprendemos em nosso círculo social; o contrário também pode ser observado no indivíduo que pouco se preocupa com certas regras que permitem uma convivência sociável; comportamentos que não seguem regra alguma, nos quais a pessoa permite expor seus instintos sem nenhum controle e usa a sexualidade sem nenhum comprometimento com as leis universais, tem a intenção de reprimir a moralidade como forma de libertação de regras impostas pela família pela sociedade e também protestar a sistemas que reprimiram a expressão natural; podem ser também o resultado de desajustes afetivos na infância e traumas de acontecimentos negativamente marcantes. Mais a frente, veremos a sexualidade na infância.


           Freud chamou todo conflito gerado pela repressão do que está no inconsciente, seja, moral ou imoral de neurose. Neurose é o conflito que surge entre o homem natural e o homem social, ou seja, conflito entre o instinto e a razão; o homem natural é o animal racional que somos originalmente enquanto o homem social é o que procura evoluir e tornar se civilizado segundo a sua cultura.



           Por causa da necessidade de evolução e socialização o ser humano busca seguir regras e aceitação no meio em que vive; isso implica em ter um lar, formar uma família, ter emprego, status e relacionamentos; nem sempre as regras e a cultura estão de acordo com a necessidade que cada um tem de se expressar, portanto, acabam por reprimir muitos de seus desejos e limitar sua liberdade para que atendam às expectativas do sistema ao qual se vê inserido.

       Quando não consegue seguir as regras e atingir a essas expectativas o ser humano se vê completamente fora dos padrões da sociedade sentindo se isolado torna se desajustado; nesse caso muitos acabam liberando seus instintos mais obscuros em total descontrole ou reprimindo mais fortemente esses instintos, muitas vezes buscando o equilíbrio através de doutrinas religiosas.



         De um jeito ou de outro reprimindo ou liberando sem controle os instintos, essa transição do homem natural para o homem cultural se não for feita de forma equilibrada tende a criar conflitos que desencadeiam comportamentos nocivos para si e para a sociedade.



         Desde o princípio da civilização há uma forte necessidade de reprimir os instintos humanos em busca do equilíbrio que nos tornaria seres mais evoluídos, entretanto, a religião e a política, usando de seu poder, aproveitaram se da ignorância e fraqueza humana para impor regras, criar leis e sistemas que dominavam o povo através do medo e isso vem se arrastando até os dias de hoje; de um lado temos os reprimidos, com seus conceitos e crenças limitantes e de outro lado temos os libertinos com seu descontrole e problemas afetivos; ainda temos os que sofrem de patologias mais sérias relacionadas à sexualidade que refreiam seus instintos perante a sociedade, mas, que secretamente os libera brutalmente praticando atos criminosos. Temos também no planeta uma parcela de pessoas que depois de terem passado por vários estágios dos conflitos sexuais se encontram em ascensão no entendimento das energias que formam a sexualidade e fazem uso dessa força de maneira plena.


          A verdade é que toda a humanidade terá que alcançar o equilíbrio entre o instinto e a razão para resolver seus conflitos sexuais, e isso só será possível através do conhecimento e do entendimento que o levarão a se libertar de seus medos e de suas crenças limitantes; reprimindo nosso “animal” os instintos sedentos de liberdade virão à tona de formas indesejadas e liberando-o descontroladamente estaremos agindo irracionalmente; portanto assumir nossa natureza e educar nossos instintos é uma responsabilidade que nos levará a evolução como espécie....

Trecho do livro: "Sexualize" de: Cristal Braga.

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A pintura acima é de autoria de: Pompeo Girolamo Battoni; pintura: Achilles e Centauro Chiron                                                                                 

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